24.7.15

Me aceitar, para que eu possa mudar.

Foto: Tumblr

Sempre fui uma garota sedentária, preguiçosa, que odiava exercícios físicos e dietas chatas. Mas o trauma da gordinha que existia e ainda existe mim, sempre me atormentou. Vou contar uma história que aconteceu em meados de 2003. Quando eu tinha meus exatos 13 anos, minhas amigas e eu amávamos frequentar matinês (baladinhas que duram até 22h, 23h da noite) e sempre nos arrumávamos na casa de uma de nós e partíamos para a balada. Eu me sentia bonita, e todas as minhas amigas também me achavam bonita. Além dos garotos de 13, 14 e 15 que a gente paquerava (na época usávamos essa expressão e confesso que até hoje digo "paquerar", rs). 

Em uma certa noite em uma matinê, uma cara, mais velho me abordou, e me disse que fazia parte de uma agência de modelos e atores, e que era um olheiro (caça talento). Fiquei tão feliz, e fiz o que ele me pediu. Gravei um breve vídeo me apresentando, e depois de uma semana, me ligaram, eu tinha um teste marcado. A felicidade e a auto estima, estavam no topo. Me sentia uma celebridade mesmo sem fotógrafos e repórteres a minha volta. 

Cheguei lá, me maquiaram. Me lembro como se fosse ontem que a maquiadora elogiou muito os meus cabelos. Eram lisos e cumpridos. Pronto, maquiagens e cabelos prontos, hora da troca de roupa. Foi aí, que minha auto estima despencou do topo como se fosse um fruto maduro caindo do topo de uma árvore. Me senti pra baixo ao ver menina lindas, bem mais altas, bem mais magras. Meninas que vieram de longe, Porto Alegre, Curitiba...e que estavam ali para viver aquilo. 

Um moça entrou no camarim, dizendo que a próxima cena, talvez usaríamos biquini. Comecei a chorar, minha mãe com dó, mas com vontade de me fazer tentar, me pediu pra continuar. Minhas lágrimas caiam, com a dor de não pertencer aquele lugar. Não ter o tal padrão de beleza. E detalhe, eu era uma criança. 

Tava na hora do teste, uma sala cheia de câmeras e uma diretora que estava ali para nos orientar e nos selecionar. Tínhamos que agir naturalmente. Eu, a única baixinha, gordinha, agir naturalmente? Não, eu não consegui. Dei graças a Deus quando terminamos. Quis sair correndo dali e ir embora pra nunca mais voltar. Claro, eu não passei, embora depois de algumas semanas a mesma agência entrou em contato comigo querendo agendar mais um teste. Eu neguei. 

Agora, você vai me dizer "mas temos que nos aceitar como somos". Claro, eu sei disso e digo para vocês que eu admiro muito, quem se gosta do jeito que é, que ama seu corpo, que se sente feliz. Mas quer saber? Hoje, depois de 12 anos desde a experiência do teste, eu ainda me sinto insatisfeita com meu peso, com aquilo que vejo no espelho. 

Se aceitar, não é aceitar sua aparência e cruzar os braços. Tenho amigas que passaram e ainda passam pelo mesmo sentimento que o meu em relação ao corpo e que hoje se aceitaram para que ajam motivos de mudanças. E hoje minha vida segue assim, com uma passo de cada vez. Me aceitando aos poucos, para que eu possa mudar.


Beijos, tchau!
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Comentários
7 Comentários

7 comentários:

  1. Amei... e tbm compartilho do mesmo sentimento... não gosto do que vejo no espelho e a mudança não é uma coisa fácil né... mas vou tentando... bjim

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    1. Verdade, mas Babí, não podemos desistir. Força de vontade é o segredo.

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  2. Concordo com você.
    Não gostar do próprio corpo não é questão de não se gostar, ou não se aceitar, é simplesmente "não estar satisfeito". É algo que se pode mudar se você quiser mudar e ninguém tem nada com isso.
    Não é querer fazer parte de um padrão, é questão de se sentir bem.
    Tem gente que se sente bem dizendo sim pro fast food, gente que se sente bem indo pra academia, gente que se sente bem comendo saudavelmente a semana toda e liberando geral no finde... Enfim, tudo depende da maneira que você reage a isso. Faça apenas o que se sentir bem.

    Último Biscoito | www.ultimobiscoito.com

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    1. Exatamente Nayandra. O importante é se sentir bem, não é mudar por causa do padrão exigido pela sociedade e sim mudar por você mesma. <3

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  3. Posso dizer que houve uma ou outra altura que senti algo relacionado com isso, até que encontrei-me no meio daquela tempestade que existia dentro de mim e percebi que apenas eu poderia mudar o que quero e ser o que quero.

    Acho horrível os standards de beleza actualmente, absolutamente estúpidos e sem lógica que levam milhares de adolescentes a tentarem a morte.

    Se podes querer mudar o teu corpo e melhorá-lo para o que desejas ser? Claro!
    Agora o que te digo, nem penses que só porque vais ficar mais magra vais integrar-te em grupos. Isso é pura ilusão e faz com que muita gente acabe vazia - toda magra, linda, cheia de gente magra e linda há volta que só pensa em ser magro e lindo e ter pena dos gordinhos que passam.

    Um ser humano é mais do que o que se vê ao espelho... E nem sempre o sabe.
    E é como dizes, tens de te aceitar, de mudar tua forma de viver antes de emagrecer ou engordar.

    Além de que existem pessoas que nunca emagrecerão, pela saúde que têm, pelos cromossomas que lhes fizeram nascer e não ajudam na tentativa de ter esse 'corpo'.


    Em suma, podes desejar melhorar-te... Mas nunca te esqueças que és uma pessoa, que tens de te gostar mesmo que meio mundo te olhe de lado. Nunca serás integrada em todos os lugares, por isso tem cuidado... Não te faças vazio por dentro porque o exterior te faz diferença.

    Um Abraço! Desculpa o testamento ;)

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    1. Olá Sofia, obrigada pelas palavras, mas eu não quero me encaixar ao padrão que a sociedade diz que é correto e bonito. Eu só quero me sentir bem com o meu corpo. Eu estou sobre peso, e não me sinto bem assim, tem gente que se sente bem, e não liga com dietas ou exercícios. Eu ligo, quero saúde acima de tudo, e não beleza. Eu quero poder caminhar mais de 2 quilômetros sem precisar morrer de cansaço. Dei esse exemplo que tive na minha vida, justamente para mostrar que esse padrão de beleza fere muitas, mas que não devemos mudar apenas por isso, mas também não devemos nos acomodar ao sedentarismo. :) Beijos e obrigada por comentar <3

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  4. É bem isso mesmo, esse negocio que inventaram de aceitação como se todas nós fossemos obrigadas a aceitar e ficar como está não é nem um pouco saudável pra mente, se eu não me sinto bem porque tenho que continuar me sentindo assim? não há propósito nisso! Até fiz um post sobre isso também!

    Beijos

    www.jewilhelm.com

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